domingo, 22 de novembro de 2009



PERDE-SE UM AMIGO...
Guida Linhares

Muitas vezes é preciso que se perca um amigo, para que se valorize a sua presença em nossa vida. Tantas vezes prestigiamos uma pessoa porque a queremos bem, contudo a recíproca não é a mesma. Percebe-se que a pessoa aqui e ali coloca o seu carinho, sem contudo lembrar-se de que também somos amigos e de longa data.
Conquistar alguém não significa que seja para sempre, se não houver o cuidar da amizade, o regar do carinho, a troca de idéias, o estímulo a que se prossiga no trabalho que se faz.
Ser amigo é marcar presença sempre que possível e não dar desculpas esfarrapadas quando se questiona o porquê das ausências; isso sim é que acaba por transformar uma gostosa amizade num ato contínuo de tristeza e decepção.
Assim às vezes é melhor chorar a perda do amigo do que ficar alimentando ilusões insanas a respeito de se manter uma pessoa por perto, só pra alimentar o seu ego e poder dizer que aquela pessoa é amiga.
De nada adianta mostrar algo que não tem concretude, nem encerra o prazer e a alegria que devem existir em todos os relacionamentos saudáveis.
A perda faz parte da vida e somos responsáveis por nossos atos, além do bem estar e alegria que devem sempre estar presentes no coração de cada um de nós.

Santos/SP - 22/11/09

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


CHOVE CHUVA
Guida Linhares

Há vezes em que a saudade bate forte
e busco teus olhos, fechando os meus!
Eras tudo para mim, eras o meu norte,
e agora sinto tanto a falta dos braços teus.

Gosto de caminhar na chuva que lava a alma,
e pensar que pela minha escolha, nos perdemos.
E o teu perdão não veio, e me tirou toda a calma,
por sentir que nunca mais, de perto nos veremos.

Ah! estas gotas que rolam pela face quente,
são as lágrimas da saudade inundando o coração.
Quisera ter você apenas por mais um momento.

Dizer tudo o que se passa, todo o sentimento,
que trago dentro de mim, toda a forte emoção.
Sonho impossível! Nunca mais você se fará presente!

Santos/SP - 03/03/09



quarta-feira, 4 de novembro de 2009


NOSSA ETERNA CRIANÇA
Guida Linhares

Que esta criança cheia de dengo,
tenha olhos de ver alegria
e bons motivos para sorrir.
Que veja a vida como um arco-íris
pincelado a cada amanhecer.
Que o seu coração,
tenha os pincéis do amor
prontos a traçar caminhos
que levam à eterna ventura
de sentir-se parte integrante da natureza,
plena de amorosidade
e de um suave compartilhar de sonhos e quimeras.
Que Deus ilumine a criança que há em nós,
que gostava de brincar de esconde-esconde,
empinar pipas, pega-pega, amarelinha,
pisar nas poças d`água e bailar na chuva cantando.
Que ela possa rir de si mesma,
por ter caminhado tanto,
entre alegrias e sofrimentos,
mas continuar sendo a eterna criança.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


CASTELO DE SONHOS
Guida Linhares

Havia um rei que governava com muita sabedoria e amor, sendo querido pelos seus súditos e admirado pelos seus escritos, sempre refletindo sobre a vida e a natureza e comportamento dos seres humanos. Ele possuía muitas habilidades, mas a principal era despertar o amor nas pessoas, e por onde ele passava era saudado com muita alegria.

Em seu castelo todos eram tratados com dignidade, desde o mais simples serviçal até os seus ministros e ali se podia dizer que reinava a harmonia. Todos estavam imbuídos do propósito de fazer daquele reino o melhor e mais produtivo de toda a região.

Mas o que mais preocupava a todos era o coração do rei. Este havia sofrido um grande revés, perdendo a esposa querida, quando os filhos ainda eram pequenos. E todo o reinado se preocupou em arrumar uma nova esposa, mas ele não foi feliz com ela. A união mal sucedida terminou, e o rei passou a ser pai-mãe dos seus cinco filhos.

Os anos foram passando, o reinado cumprindo as suas metas, e o rei permaneceu sozinho por muitos anos a fio. Preenchia suas horas vagas escrevendo poesias e pequenos textos que distribuía a todos, até mesmo fora de seus domínios e foi ficando cada vez mais conhecido pela sua criatividade e por sempre levar uma mensagem de estímulo e esperança a todos as pessoas.

Contudo quando se recolhia aos seus aposentos, sentia falta de um terno olhar feminino, de uma boca suave a dizer frases amorosas, de um encontro amoroso real e profundo. Ainda sonhava com um novo amor, mas onde ele estaria, como chegaria até ele, quando isso aconteceria?

Numa tarde de sol, olhando pela janela, sentiu vontade de andar pelos campos como uma pessoa comum. Despiu-se de seus trajes reais e colocando roupas simples, saiu escondido do castelo e deliciou-se em olhar as flores do campo, com sua singeleza e colorido e as alegres borboletas em seus volteios.

Percebeu no meio de um canteiro de margaridas, uma mulher deitada e aproximou-se dela perguntando:
- O que fazes linda mulher, olhando para o céu?

Ela respondeu: - Busco a minha inspiração que se foi, perdida pelas decepções que a vida tem me trazido. Não consigo mais escrever, traduzir em palavras, nem mesmo o sentimento do vazio.

Ele estendeu a mão e disse: - Vamos conversar. Ele sentou-se ao lado dela e começou a contar da sua solidão, dos amargores que havia passado e de toda a esperança que trazia em seu coração, de que em tudo havia um sentido, de que a existência valia a pena ser vivida, e que cada coisa que nos acontece sempre serve como uma lição de vida.

Ela o escutou atentamente e respondeu que também sempre pensara assim, mas que não tinha sorte no amor, e que sempre que confiava em alguém, logo se decepcionava por perceber que os sentimentos não eram recíprocos e que as pessoas sempre procuravam prazeres fugazes e não um vínculo amoroso; que ela buscava acima de tudo amar e ser amada por uma única pessoa.

Ele tomou as suas mãos, as beijou e disse:
- Não sei, mas algo me diz que você é uma rainha, ainda sem coroa, mas com um coração real e sangue azul correndo nas veias, pois trazes a dignidade das pessoas que sabem o que querem e vão à luta, ainda que entre espinhos e farpas, mas com muita coragem e valentia.

E quando os olhos se encontraram, os corações bateram mais forte e naquele momento, céu e terra se uniram e os Deuses do Olimpo confraternizaram, pois Cupido havia flechado mais dois corações há muito solitários e buscadores.

O Rei levantou-se e estendendo a mão falou:
- Venha minha Rainha, meu reino agora é teu. Sejamos cúmplices, reais parceiros amorosos, e juntos conquistaremos todas as estrelas do céu e a lua deitará seus raios prateados sobre os nossos corpos enlevados, iluminando as nossas almas. Nossas águas amorosas fluirão placidamente para o Oceano do Amor e seremos felizes para sempre.


O FIM DE UM SONHO
Guida Linhares

A vida às vezes nos leva,
por estranhos caminhos.
Conhecemos uma pessoa,
nos encantamos por ela,
abrimos a nossa guarda.
Acelera-se o coração,
abrem-se os braços
e se acolhe com alegria,
aquela que parece será,
uma prazerosa companhia.

Às vezes na idealização,
tudo se mostra como sonho.
Os sentimentos afloram,
a emoção toma conta.
A nuvem de ilusão
parece uma doce promessa.
E nos atiramos à magia,
abraçamos a emoção,
e a alma encantada
levita nas asas da paixão.

Depois de consumado
o encontro esperado,
quando tudo parecia perfeito,
eis que se percebe,
que a realidade é bem outra.
Apenas curiosidade saciada,
sem o sentimento afetivo.
Apenas satisfação de desejos,
sem perspectiva de amor.
O fim de um sonho.

sábado, 19 de setembro de 2009


A CANÇÃO QUE VEM DE VOCÊ...
Guida Linhares

Não te conheço ainda,
sequer sei onde estás agora,
mas sinto que vai chegar a hora,
em que do "nada" tu surgirás...

E quando nossos olhos se encontrarem,
nem serão preciso palavras,
nos reconheceremos como almas gêmeas,
que se buscaram pelos tempos...

Ja te confundi ao longo da vida,
com outros olhos que me fitaram,
mas hoje vejo com clareza e convicção,
que ainda não te conheci...

Sei que existes em algum lugar do planeta,
sei também que a hora há de chegar,
seja daqui, da serra ou do mar,
tu chegarás com um sorriso...

E ouvirei a canção que vem de você..
da melodia que busca incessante por um amor
verdadeiro, sincero e leal,
que em cumplicidade caminhe junto....

E quanto isto acontecer,
nos reconheceremos de imediato,
nem será preciso que nos apresentem,
pois da eternidade somos velhos companheiros.

E no farol da vida em comunhão,
viveremos num paraiso florido perto do mar,
numa morada iluminada pelo amor,
onde juntos colheremos a mais divina flor.

Santos, SP
10/10/06

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Certo dia, em que estava muito triste, passeando num jardim cheio de flores do campo alegres e coloridas, encontrei no meio delas uma rosa rubra, de extraordinária beleza. Cheguei bem perto e acariciando as suas pétalas, me veio uma enorme vontade de fazer poesia. Até então, achava que as poesias eram todas muito parecidas, assim como os sentimentos humanos.
Mas assim como cada criatura é singular em si mesma, o aprendiz de poesia percebe que pode igualmente trazer para fora, o seu interior de emoções e sentimentos. Neste momento, a rosa rubra brilhou em gotículas de orvalho e tive a certeza de que estava sendo invadida pelo vírus poético...e dali em diante, colho diáriamente botões de rosas, transformados em versos e prosas. Delicie-se neste jardim e colha você também, as flores de sua preferência, pois cada um de nós tem a sua, encravada no fundo da nossa essência.

Guida Linhares (Mag Abreu)
Santos/SP/Brasil
2005

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